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terça-feira, 24 de maio de 2011

O verdadeiro "hino à alegria"

(a todos os que estiveram este Domingo no Jardim da Estrela)

Custou a acreditar que estava a acontecer. Para mim, era um domingo como muitos outros, onde por entre a panóplia de espécies de árvores raiava um Sol tipicamente lisboeta. O clima permitia um passeio ameno e uma confortável conversa na relva. Se a cor dos nossos dias é responsável pelo nosso lado emocional, acredito que era o dia perfeito para se ser feliz. Era também de música que se alimentava a tarde. Música excelentemente escolhida, música com um sabor contagiante que nos fazia reviver tempos, pessoas, locais e momentos. Ao sabor da música outros sabores se juntavam. Estes eram degustados através dos cálices de vinho, dos copos de cerveja fresca com tremoço e dos sumos refrescantes. Todos os ingredientes compunham um espaço único da nossa cidade. Todos os ingredientes enriqueciam o magnífico Jardim da Estrela. Misturavam-se pessoas de todos os estilos, de todas as idades, pessoas bonitas! A beleza de cada um está única e simplesmente no seu humilde sorriso. E quantos sorrisos perfilavam! Passeavam as miúdas de tops descaídos que deitavam seus ombros ao sol. Passeavam os pais de mangas curtas que seguravam nos braços, lindos bébes. Passeavam jovens que viam no uso dos chinelos um chamamento de Verão e crianças que corriam de cara pintada numa metáfora à felicidade carnavalesca. Ao som da música e ao brilho da luz, todos os que ali estavam, com a sua multiplicidade de vidas, de responsabilidades, de objectivos, repentinamente se uniram numa enérgica dança de libertação.

Era uma sede de viver a vida, de contemplar a natureza, de sentir a harmonia. O coreto rapidamente se transformou numa fogueira, onde os acordes do que se ouvia atraíam mais e mais pessoas para seu redor. Era incrível aquele mar coreográfico! Os sentados passaram a levantados. Os envergonhados a extrovertidos. Os grupos uniram-se numa intersecção perfeita. E num ápice, dezenas e dezenas de pessoas dançavam sem complexos, saltando como pássaros que voam e não querem aterrar. No ar bolas insufláveis descreviam órbitas aleatórias por cima das cabeças daquele sistema vibrante de pessoas. Uma música, duas músicas, três músicas, o êxtase da vida continuava e aquele universo ficava cada vez maior. Tocava “Empire State of Mind” e a multidão vibrava como que dando aos de Central Park uma lição. Se naquele momento uma letra Lisboeta entrasse, acredito que as lágrimas, sem receio, fossem solidárias com as palavras. Invadi-me de orgulho pelo que via, de comoção por ali estar e poder partilhar sem ter de contar as horas. Naquele momento era impossível contrariar a felicidade daquela gente.

O mais bonito de tudo foi perceber que na explosão de ritmo e alegria, estavam provavelmente alguns que levam uma vida monótona, alguns que sofrem com a solidão do desemprego, alguns que recentemente podem ter perdido alguém, e muitos que sonham num país que todos os dias é apelidado de doente. O mais bonito de tudo foi perceber que ali nada disso existia! Num lugar público com um espectáculo simples, vimos uma festa sem aniversariante, uma celebração sem motivo aparente, a não ser pela única e simples razão de estarmos a viver.

Se um cenário perfeito deve ser pintado, acredito que todos os pintores do mundo gostariam de ali ter estado. No Domingo, o cair da noite no Jardim da Estrela, foi um “hino à alegria”.

P.S.- A todos os que lá estiveram, um muito obrigado por me contagiarem, um muito obrigado por me terem permitido ver Lisboa, como nunca a vi.

(este é o primeiro de vários textos de momentos que quero partilhar. Sejam felizes!)

6 comentários:

  1. Obrigado também a ti, tu também fizeste a cor, a alegria e energia desta festa!

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  2. Maria,

    Como um dos produtores do Out Jazz o teu texto significa o mundo para mim.

    Obrigado e volta sempre. É para isto que trabalhamos.

    Filipe Barral

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  3. Obrigado Joaquim e Filipe pelos vossos comentários! A Maria não é a autora do texto, é sim uma grande amiga, que o partilhou por iniciativa própria ;) Fui certamente um dos que contribuiu para todo aquele momento único, arrastado pela minha namorada, vim de lá renovado! Parabéns Filipe! abraços

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  4. Não sou a autora mas estou inchada de orgulho :)
    Continua com o excelente trabalho.
    Filipe, parabéns a todos, haja mais iniciativas destas em Portugal.
    Maria

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  5. joão pinto correia25 de maio de 2011 às 17:10

    senti o mesmo nem estava à espera de passar uma tarde de Domingo tão bem. E foi melhor que maior parte das noites que passei em discotecas onde nem a cara das pessoas se vê, aqui Jardim da Estrela graças a Deus vê-se bem tudo e todos. Melhor dificilmente há, nesta condições

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  6. Muito verdade João. ass: Autor do texto

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